quinta-feira, 30 de junho de 2011

Nostalgia do que ainda não foi

Faltam menos de 20 dias.
Não é possível, tem que ter alguma explicação lógica para que esse tempo passe tão rápido.

Parei hoje no meio do metrô, no meio daquele bando de gente e pensei nisso.
Pensei como vou sentir falta de tudo isso.
Como vou sentir falta de ver a torre ao acordar;
Como vou sentir falta de ouvir esse frances, de forçar meus 'rrs'.
Como vou sentir falta de comprar vinho por 2 euros;
De fazer meus piqueniques à margem do Sena, na ponte das artes;
De jantar olhando pra Torre..
Aaaah, nem comento sobre as baguetes.

Semana passada me perguntaram o que eu mais aprendi nessa viagem.

Aprendi muito.
Cresci muito.
Evolui.

A cada pessoa que conheci, cada nacionalidade, a cada cultura . . .
Como eu amei cada cutura.
Suécia, Venezuela, Suiça, México, Biello-Russia, Rússia, Albânia, Grécia..
Como eu amei ouvir um pouco de cada país, saber de cada costume.

Viver isso tudo é realmente incrível.
E é exatamente isso que eu pensei no metrô.
É exatamente isso que penso em cada ruela, em cada momento que eu paro por 1 minuto e penso na minha rotina.

Amo minha rotina Parisiense.
E, ao contrário do que você possa pensar, não, não é porque eu não faço nada.
É justamente porque eu faço, porque vejo tudo do que ouvi falar, do que está nos livros, nos filmes.
Isso aqui pra mim é uma concretização das diversas coisas que já escutei.

Isso aqui pra mim é incrível.
É simplesmente impossível não sentir essa saudade precoce, essa nostalgia do que ainda não foi.


quarta-feira, 22 de junho de 2011

On Va Faire La Fête

Sabe aquela frase "todo mundo pode cantar" ?
Pois é, os franceses aderiram bem a ideia e a executam há 30 anos no primeiro dia do verão, 21 de Junho.
A Fête de La Musique é nesse esquema: pegue seu violão e vá para as ruas.

A cidade fica lotada, é incrível, tem muita gete nas ruas.
Não, claro que não só franceses, também vi muito turista arranhando alguma coisa...
A verdade é que todos estão tão felizes - e alcoolizados -, que ninguém liga muito se a banda é boa ou não.

Curioso, porque todo mundo fala que os europeus são frios, tem diiculdade de se expressar e tal.
Je suis d'accord, o sangue latino é totalmente diferente, não tem comparação.
Mas por outro lado, reparem como eles ficam superanimados com qualquer festinha.
Precisam só de um empurrãozinho e pimba: ficam soltinhos.

É impressionante, eles admiram esse nosso lado de dançar, festejar por tudo..
Semana passada fui em uma outra 'Fête', que não era de la musique, mas só tinha francês, uma Festa Junina.
Sim, acreditem, fui numa festa junina em Paris.
Claro, organizada por uma brasileira, mas mesmo assim já é um grande feito.
Aliás, um grande feito mesmo foi ver aqueles franceses encarnando nossa cultura, ou melhor, amando-a.
Amando as milhares de comidinhas;
Amando as músicas;
Amando dançar: e entrando na pista.

Tudo isso depois, é óbvio, de um incentivo brazuca.

O importante é faire la fête, mesmo que seja com uma ajudinha.
Apesar de que, confesso, alguns indivíduos não precisavam ter entrado tanto no clima.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Vá a Nice!

Dessa vez vou ser direta. Quero colocar no titulo, de cara, sem suspense.

Porque o título de um post é o mínimo que eu posso fazer, mas poderia estampar na minha camisa, num outdoor, falar pra todo mundo: vá.

Estou apaixonada por esse lugar.

Que em breve, infelizmente, será ‘aquele lugar’.

Prestes a partir, com aquela sensação de ‘quero mais’, concluo que a Riviera Francesa me cativou, me encantou, me surpreendeu.

Coloquei a culpa no mediterrâneo: pensei, ‘é essa água azul esverdeada..’, mas Nice é muito mais do que uma praia espetacular.

Tem energia.

A cada ruela, cada pedacinho que descobri - e não foram poucos - senti uma coisa boa, algo diferente. Só ficava pensando que ficaria ali por pelo menos mais uma semana.

Foram só três dias.

Três dias para pagar 15 euros pela praia, dar um mergulho naquele mar, ver os iates supermodestos, comer em restaurantes deliciosos e ficar estupefata com a vista.

Três dias para ver que Nice é uma cidade francesa com alma italiana.

Engraçado que eu não conheço a Itália, mas a imaginava exatamente daquele jeito: vespinhas circulando pelos becos, roupas penduradas nas janelas.. imagina se franceses deixariam seus ‘vêtetments’ secando para todo mundo ver. Jamais.

Confesso, porém, que a cozinha niçoise não me cativou tanto assim. O que não foi, de jeito nenhum, um problema, já que há opções por todos os cantos.

E quando eu digo por todos os cantos, é justamente para que você não fique só na praça principal com milhões de turistas.

Explore.

Entre nas ruelas, entre no espírito de Nice.

Descubra-a.

Viva-a.

Vá.

Vá a Nice!

terça-feira, 7 de junho de 2011

País de primeiro

“Brasil é país de terceiro mundo..”
Quantas vezes não ouvimos isso?
Quantas vezes não falamos isso?

Ok, somos.

Somos do terceiro mundo sim, mas, alguém já parou para pensar em que sentido?
Vou dedicar alguns minutos sobre esse tópico terceiromundista.
Porque estou realmente surpresa com a qualidade dos serviços europeus.
Aliás, com a falta de qualidade do lugar primeiromundista.

Sinceramente, não acho que um mercado ou um restaurante devem abertos 24h, isso foi apenas uma consequência do ‘American Way Of Life’, que, é claro, não é muito querido pelos europeus.
Confesso que é difícil se adaptar a tudo fechando as sete da noite, pincipalmente considerando que o sol só vai embora as dez.
Isso não é, entretanto, o que mais me incomoda.

Afinal, por favor, será que dá para escolher a mesa que eu quero sentar num restaurante?

Na verdade, não.

Para entrar no estilo de vida francês, vai ter que aceitar que o cliente não tem sempre razão.
Que você chegará numa brasserie e só conseguirá uma mesa para 3 se os três indivíduos estiverem lá.
Domingo é dia de café da manhã em família, em que todos acordam tarde, certo?
Pois é, não para a Secco, melhor padaria do meu bairro que fecha domingo e segunda.

Tudo bem, nos chamem de subdesenvolvidos, terceiro mundo..
Mas no meu país, os serviços são de primeiro.

sábado, 4 de junho de 2011

Chantilly

Vamos lá, qual é a primeira coisa que você pensa com essa palavra?
Naquele creme que fica extremamente bom com morangos?

E se eu disser que é uma região no norte da França?
Ronaldo?

Sim, foi lá mesmo que ele casou com a Cicarelli.

Mas Chantilly é muito mais do que uma gordice ou um casamento relâmpago.
Ok, não tão mais assim.
O lugar é simples: um castelo e seus anexos, uns lagos, jardins e muitas, muitas trilhas.
Essa deveria ser a proposta principal, caminha no meio do mato.
Ou, melhor ainda, andar de bicicleta no meio daquelas folhas e arbustos.
Vá preparado para andar.
Ouvi dizer que tem um ônibus que sai direto da estção de trem para o ‘centro’.. só ouvi.

O Château é legal, mas nada que você não ache em Paris.
Não é um ambiente de glamour, pelo contrário, é bucólico.
Poucas vezes na vida tive aquela sensação, de que poderia estar numa outra época.
Principalmente restaurante que produz o famoso chantilly, o original o primeiro, o incroyable.
É uma casinha no meio do nada com umas mesinhas do lado de fora.
Aliás, muitas mesinhas.
Afinal, todos querem provar aquela maravilha inventada em 1819.

Há várias opções: fraises, framboises, sorvetes, torta, café.. tudo acompanhado de chantilly.
Se preferir, pode até pegar puro, sem nada.
Mas, infelizmente não dá pra levar pra viagem.